quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Cavalinho expõe o maior presépio em movimento

A empresa Cavalinho proporciona momentos de magia natalícia a todos aqueles que visitam o seu presépio, em S. Paio de Oleiros, Santa Maria da Feira, desde o dia 10 de Novembro. Aqui, encontrámos uma estação e apeadeiros de comboios, teleféricos, casas, igrejas, animais, veículos e muitos populares a representar o quotidiano. Quase tudo mexe e a música não falta.

A primeira parte daquele que é o maior presépio em movimento

O proprietário da empresa Cavalinho, Manuel Azevedo, contou que tudo começou com a cascata sanjoanina, localizada em frente à firma de malas e acessórios. Durante um directo para a Praça da Alegria, programa matinal da RTP1, Manuel revelou o seu fascínio por presépios e pela magia do Natal. Daí os 600 metros quadrados com figuras em movimento.

A magia natalícia continua do outro lado da rua

O maior presépio em movimento retrata as vivências quotidianas, a vida de Jesus Cristo e a imagem da Nossa Senhora de Fátima e dos três pastorinhos (Lúcia, Francisco e Jacinta). O Pai Natal e a Branca de Neve e os Sete Anões também podem ser visitados, de forma gratuita, até ao dia 2 de Fevereiro em S. Paio de Oleiros, a três quilómetros de Espinho.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Especialistas sintetizam os últimos dez anos

"Ideias de uma década". Um desafio lançado pela revista Notícias Magazine a vários especialistas que sintetizam os primeiros dez anos do século XXI. Aquando da chegada do ano 2011, faltam 16 dias, ficam aqui algumas opiniões relativas ao ambiente, à crise, às redes sociais, à mulher, à justiça, ao «eu», ao terrorismo e ao genoma.

Capa da edição de 5.12.2010 da Notícias Magazine

"Além de europeus, somos mediterrânicos, o que não nos afasta muito dos gregos, italianos e dos espanhóis do Sul. Somos muito individualistas e estamos mais próximos dos norte-africanos do que dos povos do Norte da Europa."

Manuel Sobrinho Simões (médico, investigador e professor universitário)

"Se continuarmos a achar que vale a pena investir tanto na educação, na saúde e na economia para darmos vantagens aos nossos descendentes, porque não investir também no melhoramento da sua herança genética?"

Alexandre Quintanilha (geneticista e professor na Universidade do Porto)

"As redes sociais não são novidade desta década. São o que sempre nos acompanhou enquanto sociedade: na nossa relação diária com família, com amigos, no trabalho ou quando surge a necessidade de nos juntarmos a outros para atingir objectivos comuns."

Gustavo Cardoso (professsor e investigador no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa)

"O homem é o único animal que destrói o seu ambiente"... "O aquecimento global é uma realidade, e é particularmente devido aos povos do hemisfério norte da Terra. Porque é o hemisfério com mais terras, onde há mais implantação de indústrias, que estendem a sua busca de formas de rendimento muito para sul do equador."

Anthimio J. de Azevedo (geofísico meteorologista)

"Neste mundo saturado de ilusões de oportunidades para dizermos «eu» e proclamarmos a nossa individualidade tornou-se cada vez mais problemático fazer passar o valor mais clássico, e também mais visceral, da política: nós."

João Lopes (jornalista e crítico de cinema)

Ataque terrorista às torres gémeas, em Nova Iorque: "[V]ivendo nós numa aldeia global (ainda que com «freguesias» muito distintas entre si) há acontecimentos aparentemente localizados que, directa ou indirectamente e sempre de forma irreversível, afectam todo o planeta".

"O ataque ao Iraque foi ilegítimo e provocou a ruína do edifício legal internacional que garantiu o estado de semi-paz em que vivemos durante os últimos 65 anos. Estamos todos a pagar os custos desse desvario que prossegue com violações dos direitos das pessoas e das nações."

Eurico Reis (Juiz-Desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa)

"Como se combate uma rede terrorista? Eis a questão central para a segurança das sociedades contemporâneas. É essa pergunta que os ataques terroristas desde o 11 de Setembro põem às nossas sociedades."

Nuno Severiano Teixeira (professor da Universidade Nova de Lisboa, ex-Ministro da Administração Interna e ex-Ministro da Defesa)

"Alguns proprietários deixaram de pagar as hipotecas e o incumprimento alastrou aos chamados títulos derivados que, afinal, não eram seguros." (Imobiliário)

Clara Raposo (economista e professor do Instituto Superior de Economia e Gestão)

"Uma das consequências do rápido crescimento económico do Brasil, Índia e China foi a redução do número de pessoas em situação de pobreza extrema."

Álvaro Santos Pereira (economista e professor na Simon Fraser University, Canadá)

"[H]oje em dia, o feminismo implica um projecto de sociedade que envolve a acção conjunta de mulheres e homens e que, por isso, implica a consciencialização mútua de um trabalho comum, baseado no respeito pelas opções pessoais de cada um."

Maria de Jesus Barroso Soares (Presidente da Fundação Pro Dignitate e ex-Primeira Dama)

A menos de um mês do final deste ano, a Notícias Magazine, revista semanal vendida juntamente com o Jornal de Notícias e Diário de Notícias aos domingos, publicou estas e outras citações destes especialistas que sintetizam os primeiros dez anos do século XXI, na edição do dia 5 de Dezembro de 2010 (pp. 18-86).


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Arrombaram loja de óptica para furtar

O Centro Óptico de Cesar foi assaltado, na madrugada de hoje, 8 de Novembro, por um ou mais indivíduos que arrombaram a loja, situada na Gândara, e levaram alguns dos objectos expostos na montra.

O assalto ocorreu durante a noite e está a deixar os populares alarmados com o aumento de furtos na Região Entre Douro e Vouga. A notícia do arrombamento do Centro Óptico propagou-se com o nascer do dia. Na padaria e pastelaria Elite, estabelecimento próximo da loja de óptica, as funcionárias tomaram conhecimento do assalto pelo proprietário.
O proprietário do Centro Óptico desabafou junto de uma funcionária, pedindo uma bola de berlim para "afogar as mágoas" pelo furto que foi alvo. Ao que Tânia Santos conseguiu apurar, foram furtados vários objectos, nomeadamente óculos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Viver com o ofício às costas

Século XXI: era da electrónica e das novas tecnologias. Multiplicam-se os grandes edifícios, o cimento e o alcatrão propagam-se e o tradicional sobrevive a muito custo. A autora deste texto retrata o movimento e a agitação de pessoas num recinto onde persiste a venda e compra à moda antiga.

Populares a caminho da "Feira do Gado"


"Venha ver freguês", "Compre que é barato", "É só três euros" gritam vários feirantes de todos os lados, originando um ambiente popular de balbúrdia. Encontram-se espalhados diversos objectos e peças de roupas em todos os cantos do recinto da feira de Cesar, freguesia do concelho de Oliveira de Azeméis. Intactos e remexidos, os produtos passam pelas mãos de vendedores, de compradores ou apenas de visitantes curiosos.

A 17 de Outubro de 2009 o dia começa cedo. Ainda é madrugada e as ruas estão iluminadas pelos faróis da luz pública e dos veículos que circulam, mas o trabalho já está em andamento. O recinto da feira enche-se de carrinhas volumosas, espaçosas e com um tom branco. Feirantes levantam ferros de uma ponta à outra, que são encobertos com toldes. Surgem tendas e bancas de venda a pouco e pouco.

No recinto que envolve a chamada "Feira do Gado", zona onde são vendidos sobretudo produtos de cultivo (hortaliças e plantas) e alimentares (fruta, legumes, peixe, carne), a maioria dos feirantes já estão preparados para vender os seus produtos e ainda o sol está adormecido. Maria Martins, de 60 anos e natural de Pinheiro da Bemposta, Oliveira de Azeméis, é uma das feirantes que está pronta para vender as suas couves.

"A vida de feirante é complicada"
Maria, mulher do campo, gosta da vida e da profissão que exerce, frisando que "não condeno os meus pais" pelo seu trajecto já que foi ela que "não quis estudar". Começou a trabalhar na labuta do campo com apenas oito anos e recorda as idas para a feira de Cesar: "Vinha com os carregos à cabeça, trazia as coisas e levava-as para casa". Aquando da sua mocidade, Maria já sentia o que era ter necessidade de trabalhar para comer: "Havia poucos tostões!"
Quando o dia nasce muitas pessoas, locais e outras, deslocam-se até à "Feira do Gado" para adquirir os produtos alimentares mais frescos e as hortaliças verdes e mimosas que querem ver crescer, saudavelmente, nos seus quintais.

Ferramentas, produtos de cestaria e tapeçaria, frutas e legumes, plantas e sementes estão à venda no recinto da "Feira do Gado"

O relógio da capela da Nossa Senhora da Graça soa às oito badaladas da manhã. Apesar de ainda se sentir o frio típico do Outono, o sol já descoberto eleva aos poucos a temperatura e chama visitantes e/ou compradores ao recinto da feira.

"António", nome fictício de um vendedor de roupa da região Norte do país, que prefere não ser identificado, aprecia o seu trabalho a par da colega Maria, mas admitiu que "a vida de feirante é complicada". Outrora, as feiras eram os pontos exclusivos de venda. Agora, as pessoas vivem numa "aldeia global" onde têm acesso a tudo e a todos com facilidade e rapidez. O estado do tempo, nomeadamente chuva e vento, é outra barreira para os feirantes deste certame.

O tempo passa e a feira continua

Apesar das transformações de mentalidades e de territórios, a profissão de vendedores de feira perdura na intemporalidade. No entanto, as diferenças entre o passado e o presente existem. Quem as reconhece é "António" quando afirmou que "os supermermados de hoje são as feiras de antigamente". Em tempos remotos, "as pessoas adquiriam todo o tipo de produtos" nos certames, acrescentou o feirante.

Vende-se todo o tipo de produtos nesta feira

O dia termina com o desaparecer da tarde e do céu azul. O trabalho acaba com o desmontar das bancas e tendas e recomeça numa próxima feira. Agora, é tempo de voltar à estrada na companhia da luz dos faróis dos veículos e da luz pública.
Passado um ano, o cenário tem-se repetido todos os meses aquando da "Feira dos 18", que é antecipada sempre que o dia 18 é a um domingo ou segunda-feira. Realizado no recinto da feira de Cesar, o certame estende-se pelas bermas da estrada envolvente até ao lugar da chamada "Feira do Gado". A próxima é já no sábado, 16 de Outubro, seguida da "Feira do Velho".

Assim, a 17 de Outubro, o largo da feira regressa ao passado em menos de 24 horas, recebendo feirantes e adeptos de velharias. A "Feira do Velho", que decorre ao terceiro domingo de cada mês nesse local, tem a particularidade de se dedicar à mostra e venda de produtos ancestrais.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Males e bens de mãos juntas

Crise, crise, crise e mais crise! Esta é a palavra mais pronunciada, escrita, ouvida e debatida, nos dias de hoje, no país e no mundo. A verdade é que a denominada crise sempre existiu para muitas pessoas. Outras nunca conheceram, realmente, o seu significado.

Batatas, couves, cebolas, cabaças, courgettes, maçãs, uvas, figos, castanhas,... alimentos que saem da terra directamente para as casas daqueles que os cultivam. Assim ocorre quando uma família faz uma pequena plantação agrícola para consumo próprio e não para venda. Uma prática mais frequente nas aldeias e zonas rurais. Albertina é um dos retratos das portuguesas que desde sempre trabalharam nos campos.

Muitas famílias produzem a sua subsistência


Desde que se lembra, Albertina vê-se a trabalhar a terra. Nasceu, cresceu e casou por terras do concelho de Arouca, região tradicional e agrícola. Em conversa com os mais idosos - ou melhor, com pessoas mais experientes - é habitual ouvir-se "difíceis eram os tempos antigos". Já os mais novos confirmam que não saberiam viver sem luz, dinheiro, brinquedos, telemóveis e/ou outros luxos.

"Há males que vem por bem e bens que vem por mal", assim ditam os populares. Outrora, a fome era uma ameaça combatida pelas produções familiares. Hoje, o país e o mundo depara-se com outro mal: o desemprego e suas consequências (redução dos rendimentos familiares e da qualidade de vida, aumento da pobreza, etc.). O fosso entre pobres e ricos cresce a par deste problema actual e a questão é: «O que fazer?».

Com o desemprego a ameaçar várias famílias, a poupança começa a ser discutida. Afinal, quem poupa mais e como aprender a reduzir gastos?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Um ferido grave após colisão com um tractor

O condutor de uma carrinha ficou, ontem, ferido com gravidade após um choque frontal com um veículo agrícola de grande envergadura. O acidente ocorreu, ao final da tarde, a poucos metros do quartel dos Bombeiros Voluntários de Fajões, em Oliveira de Azeméis.
O tractor despistou-se e acabou por esmagar a carrinha cinzenta, de marca Ford, contou um popular que vi o veículo horas depois do acidente.
O ferido grave foi transportado por um helicóptero para o Hospital de S.Sebastião, em Santa Maria da Feira. O aparato popular era grande, cerca das 18.15 horas, aquando da presença do veículo aéreo, no campo contíguo ao quartel dos bomebeiros. À data ainda é desconhecido o agravamento ou não do estado clínico do condutor da carrinha.
Mais informações e imagem no website do jornal "O Regional".

Visita guiada ao Museu do Papel

Ao subir a Rua do Rio Maior avistam-se grandes edifícios, o velho e o novo misturam-se, e lá do cimo o rio corre e desce junto ao Museu do Papel, em Paços de Brandão. A visita ao museu passa por uma breve contextualização das fábricas de papel em Terras de Santa Maria da Feira e pelas diferentes fases de construção do papel. O que se fez antes e o que se mostra hoje.


Entrada do museu

Tudo começou com os trapos e Lourença Pinto, a responsável pela transformação de uma máquina agrícola em industrial. Mãe solteira e analfabeta, Lourença estabeleceu uma sociedade com Joaquim de Carvalho, em 1822. A partir do "Engenho de Lourença" os trapos eram separados e desfeitos em água, dando origem aquilo que conhecemos por papel. Um processo demoroso. As folhas eram feitas, manualmente, uma a uma.

Engenho de Lourença*


Mais tarde, o "Papel Velho" (jornais e diversos cartões de papel) começou a ser reutilizável. Nestes materiais, não constam papéis provenientes de guardanapos e de papel higiénico por não serem resistentes e recicláveis.

Os papéis recicláveis eram desfiados por mulheres para, de seguida, serem triturados no "Moinho das Galgas". Uma espécie de máquina com duas pedras que se movimentam de forma circular e esmagam o papel, transformando-o numa pasta à medida que se mistura com água. À primeira vista essa pasta confunde-se com o cimento. A cor cinza sugere da junção de diferentes tons de papel (branco, rosa, laranja, verde, etc.).

Depois da passagem pela "Casa das Galgas", a pasta de papel era reencaminhada para a "Pila Holandesa" ou "Cilindro". Nesta fase, os pedaços de papel ficavam mais desfeitos e a pasta mais líquida.
Roda hidráulica*
Posteriormente, a pasta passava pela "Roda hidráulica" e pela "Roda do Maxão", situadas no exterior da fábrica (actualmente, museu), onde desliza o Rio Maior, que deu nome à rua do museu, em Paços de Brandão.
Rio Maior passa junto ao museu

Passando pelas águas do rio, a pasta de papel volta ao interior da fábrica em direcção à "Máquina Contínua", ao "Sarilhos" e, por fim, à "Mesa de Corte". Todo o trabalho feito desde a "Casa das Galgas" e "Casa do Cilindro" até este ponto era desenvolvido por homens, devido à exigência de grande esforço físico.


Casa da Máquina*

Numa outra fase, o papel molhado era levado para o "Espande". Agora, cabia às mulheres transportar cada fardo de papel, que pesava cerca de 50 quilos. Já no local mais alto da fábrica, as botadeiras colocavam o papel a secar.


Casa do Espande*

Seco, o papel (que estivesse em bom estado) era lixado num espaço denominado por "Casa do Lixador", onde ficava pronto a vender. Com o "Papel Novo" eram feitos, por exemplo, cartuchos. Outrora, este papel encontrava-se espalhado pelas mercearias locais. Eram outros tempos e habilidades.

Casa do Lixador*

No passado domingo, 26 de Setembro, foram vários os visitantes que conheceram a indústria papeleira, desenvolvida em Terras de Santa Maria, pela mão do guia Pedro Ivo. Nos próximos dias, serão outros, desde crianças a graúdos, a ficar fascinados.

* Imagens retiradas da website do Museu do Papel: http://www.museudopapel.org/